domingo, 22 de fevereiro de 2015

Rosa Bela

 

Rosa Bela
tímida moça
nordestina.
 
O corpo de menina
dança dentro das saias
na areia branca e fina.

Perto da alma,
vê espinhos.
Ferindo a face
o peito, a mão.
 
Ilumina-se na leitura.
dos poemas inspirados
no amor e no perdão. 

Dobram lágrimas
espelhos quebrados.
Pulsos cansados
sangram no chão.
 
Rosa sonha em cores
no cinza das paisagens
 desenhadas no sertão.
 
 
 

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Nada sou


As mãos e
sentem a luz
das galáxias.

Bailam as flores.
Ouvem o vento
as almas

levam longe
o medo na velocidade
das águas.

Vou além de mim
mesmo e nada sou
quando adormeço.
 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Do amor


Quando nasce o amor
 bêbados perdem os sapatos,
esquecem a chave da porta
na primeira cena do filme.

 Descem  nuvens e ladeiras
nas curvas  desertas.

 No tempo incerto,
choram as mulheres
a ausência da flor.

Quando nasce o amor,
lambem os cachorros 
os ossos colados
na pintura dos muros.

Quando nasce o amor,
os meninos tocam no escuro
os sinos da velha matriz.

Sonham as meninas
nas casas de palha,
acordam cantando,
os versos de Deus.

Quando nasce o amor,
salvam-se os animais
do último dilúvio.



 

A volta

 
A poesia volta ao quarto das crianças.
Acordam estrelas no meio da manhã.
 Ouve o mar a sinfonia das almas.
 
 
Chegam às salas as flores do meio-dia.
Um movimento leve separa as cortinas.
Volta à luz a rima perfeita das canções.

Volta a chuva no meio de março;
Lava os becos, as pedras, as ruas.
Volta a alegria às margens do rio.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Rua Suja

 
Nos quintais da velha casa,
dormia além do meio dia.
 
Fugia de tudo,
sem ouvir as promessas dos santos
e as performances dos bailarinos
 a dançar nas sacadas dos edifícios.
 
Seguia caminhos de lama.
Louco, quebrava lâmpadas
e os faróis das locomotivas.
 
A cidade inteira parou no tempo.
Máquinas cortaram-me os pelos.
Vaga-lumes iluminavam as cenas.
 
Prostitutas, bêbados e bichas,
Escreveram manifestos.
Vestiam o figurino das peças
 de  São Genet.
 
Escondi o rosto,
ouvi palavrões.
 
Nos bares, recebi flores.
Fui transformado
no anjo torto
da rua suja.
 
Ele merece um beijo.
- Gritou um rapaz
num terno escuro
e relógio de grife.
 
Atrás das cortinas,
Li cartas de amor
escritas no final da noite,
e queimadas no outono.

Retrato



Os olhos  guardam
 amarguras e saudades
 de  amores antigos.

Gravam os músculos
 o brilho e a sombra
dos ponteiros o sol.

- Mas que menino bonito!

Gritam as senhoras
levando no peito,
colares de plástico,
rosários de ouro.

Suas roupas exalam
 o cheiro dos corpos
lavados no mar.

 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Jogral


um raio de sol
no chão de sal.

descasco
 descanso

desfaço no  aço
o som do paiol

o rosto no pasto
desgasta o gosto

 um risco
um cisco

um troço
 um traço
escuro
na taça

sem graça
 o peixe
não pisca

na hora da isca
afasta o anzol

aceso o farol
apago o sinal

é fina
a pasta

 na boca
da besta



Oníricas

No teto das casas,
serpentes sugam os olhos
das presas.


Dentes afiados mastigam
o espinho dos cactos.

Duendes abraçam
 o corpo de Deus.

Sinto o milagre
do orgasmo.

Nuvens são plumas
no céu dourado
do meu país.

Leões e leopardos
desenham na pele
 alegorias inacabadas.

No meio da multidão
recebo um beijo.
Alegre é a vida
 ao som de blues.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Folia final



Há retalhos de fantasias
encharcados pela chuva.
No ar, cheiro de suor
 e cerveja.

Crianças dormem.
Homens e mulheres
acordam. Ensaiam
o samba-enredo
da manhã.

A quarta-feira descreve as horas
nos papéis expostos na mesa.

A festa acabou.
O trem desapareceu na fumaça.
Incendiaram o ônibus e o metrô.

Os festejos ficaram
nos museus de tudo.

Desceram ladeiras
de saudade e sonho.

Cantaram com sorriso
e lágrimas a folia final.
 

Desenho

 
no azul
desenho
o mundo.
 
 
poemas
são recados
aos céus.
 
Tudo é metade
antes da chuva.
 
solto as cores
na hora da ave
antes do cio.
 
na relva,
anjos ouvem
as flores.
 
 

Apocalipse


À beira do abismo,
sinto revoltas sem fixar
 os olhos no chão.

Escolhem os homens
espinho, poeira
e pedra.

Crianças mastigam
e engolem o volume
das próprias fezes.


Num sonho, meus
braços giram no meio
de corpos;

Fora dos palácios,
olhos iluminam
 muros e   portas.

Espero árvores,
manhãs e flores
 nas mesas.

Leio poemas bordados
em toalhas de seda
e linho branco.

No reino das palavras,
o povo arrasta os pés
nos sapatos de pano.

Enrosco-me nos fios
e laços de pensamentos
colados em nuvens.

Bebo o sumo dos cactos.
Mergulho meu rosto
no espelho da sala.

Aspiro a fumaça
de ervas sagradas.

Traço no espaço
círculos de estrelas
e rotas de aviões.

Ouço as almas
abrindo caminhos
 com fios de fogo.

Chega ao final
 o canto da maldade.

 Nas páginas do tempo,
 o extermínio de tudo
é  delírio a vida inteira.
 

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Noite de Febre


Embora eu fui num tempo,
onde milhares de braços
soltavam-se dos corpos.

Punhais rabiscavam
poemas entre as flores
regadas com sangue.

Pedras vermelhas
feriam lábios sem máculas,
frios e dormentes.

Poema da Salvação


Quero dizer contando estrelas.
O amor sala os rios, a fauna e a flora.
Mata a fome e a sede dos homens,
devolve a alegria às crianças
abandonadas nas ruas.

O amor salva nossas águas.
Ilumina os olhos dos filhos,
as canções inspiradas por Deus.

Devemos amar sempre.
Para ouvir o riso nas ruas,
onde acordam as flores
 no olhar bandidos.

Amar, amar, amar.
Além dos muros onde apagam
as mensagens gravadas
 na mente humana.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Gosto de Sal


Queres saber?
Nas ruas por onde andas, andei.
As lágrimas que choras, chorei.

Onde encontrar os pincéis
 para colorir a minha dor?

Num lugar coberto de nuvens
 dorme a saudade de um beijo
 frio com gosto de sal.