terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Apocalipse


À beira do abismo,
sinto revoltas sem fixar
 os olhos no chão.

Escolhem os homens
espinho, poeira
e pedra.

Crianças mastigam
e engolem o volume
das próprias fezes.


Num sonho, meus
braços giram no meio
de corpos;

Fora dos palácios,
olhos iluminam
 muros e   portas.

Espero árvores,
manhãs e flores
 nas mesas.

Leio poemas bordados
em toalhas de seda
e linho branco.

No reino das palavras,
o povo arrasta os pés
nos sapatos de pano.

Enrosco-me nos fios
e laços de pensamentos
colados em nuvens.

Bebo o sumo dos cactos.
Mergulho meu rosto
no espelho da sala.

Aspiro a fumaça
de ervas sagradas.

Traço no espaço
círculos de estrelas
e rotas de aviões.

Ouço as almas
abrindo caminhos
 com fios de fogo.

Chega ao final
 o canto da maldade.

 Nas páginas do tempo,
 o extermínio de tudo
é  delírio a vida inteira.
 

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