Apocalipse
À beira do abismo,
sinto revoltas sem fixar
os olhos no chão.
Escolhem os homens
espinho, poeira
e pedra.
Crianças mastigam
e engolem o volume
das próprias fezes.
Num sonho, meus
braços giram no meio
de corpos;
Fora dos palácios,
olhos iluminam
muros e portas.
Espero árvores,
manhãs e flores
nas mesas.
Leio poemas bordados
em toalhas de seda
e linho branco.
No reino das palavras,
o povo arrasta os pés
nos sapatos de pano.
Enrosco-me nos fios
e laços de pensamentos
colados em nuvens.
Bebo o sumo dos cactos.
Mergulho meu rosto
no espelho da sala.
Aspiro a fumaça
de ervas sagradas.
Traço no espaço
círculos de estrelas
e rotas de aviões.
Ouço as almas
abrindo caminhos
com fios de fogo.
Chega ao final
o canto da maldade.
Nas páginas do tempo,
o extermínio de tudo
é delírio a vida inteira.
Nenhum comentário:
Postar um comentário