sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Do amor


Quando nasce o amor
 bêbados perdem os sapatos,
esquecem a chave da porta
na primeira cena do filme.

 Descem  nuvens e ladeiras
nas curvas  desertas.

 No tempo incerto,
choram as mulheres
a ausência da flor.

Quando nasce o amor,
lambem os cachorros 
os ossos colados
na pintura dos muros.

Quando nasce o amor,
os meninos tocam no escuro
os sinos da velha matriz.

Sonham as meninas
nas casas de palha,
acordam cantando,
os versos de Deus.

Quando nasce o amor,
salvam-se os animais
do último dilúvio.



 

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