Rua Suja
Nos quintais da velha casa,
dormia além do meio dia.
Fugia de tudo,
sem ouvir as promessas dos santos
e as performances dos bailarinos
a dançar nas sacadas dos edifícios.
Seguia caminhos de lama.
Louco, quebrava lâmpadas
e os faróis das locomotivas.
A cidade inteira parou no tempo.
Máquinas cortaram-me os pelos.
Vaga-lumes iluminavam as cenas.
Prostitutas, bêbados e bichas,
Escreveram manifestos.
Vestiam o figurino das peças
de São Genet.
de São Genet.
Escondi o rosto,
ouvi palavrões.
Nos bares, recebi flores.
Fui transformado
no anjo torto
no anjo torto
da rua suja.
Ele merece um beijo.
- Gritou um rapaz
num terno escuro
e relógio de grife.
Atrás das cortinas,
Li cartas de amor
escritas no final da noite,
e queimadas no outono.
e queimadas no outono.
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