A Moça da Janela
A moça da janela
Vive calada. Guarda
na dobra das saias
a saudade das festas.
Carrega nos olhos
sombra e tristeza,
atrás dos óculos
pesados e escuros.
Em segredo, namora
o moço, funcionário
do Banco.
Sonha em cores,
beija retratos.
Num dia nublado,
fechou a janela.
Foi vista numa loja
perto da rodoviária.
Comprou sandálias
vermelhas, brincos
de pérolas e rubis.
Na igreja
de N. S. das Neves,
fez longos pedidos.
Às seis horas da tarde,
descansa os cotovelos.
Espera sentada o moço
bonito do caixa do banco.
Nenhum comentário:
Postar um comentário