Poema da casa vazia
Todos foram embora.
A família, os cachorros
e os passarinhos.
No quintal da casa vazia,
ouço o estalo das folhas
e o eco do meu pranto.
Mofaram as fotos antigas.
As flores e as cortinas,
a chuva levou nas esquinas
da sexta-feira.
A claridade abriu os olhos
dos meninos e o sonho bonito
nas janelas de cristal.
Relógios marcavam meio-dia.
Nas igrejas os sinos
celebravam o vazio.
Bebi lentamente
duas taças de vinho.
Desciam na face,
fios de fumaça
e lembranças.
Cortaram o cartão de crédito,
fecharam a sala de música.
Hoje escrevo cartas de amor
na penumbra azul do quarto.
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