quarta-feira, 11 de março de 2015

Poema da casa vazia


Todos foram embora.
A família, os cachorros
e os passarinhos.

No quintal da casa vazia,
 ouço o estalo das folhas
e o eco do meu pranto.

Mofaram as fotos antigas.
As flores e as cortinas,
a chuva levou nas esquinas
da sexta-feira.

A claridade abriu os olhos
dos meninos e o sonho bonito
nas janelas de cristal.

Relógios marcavam meio-dia.
 Nas igrejas os sinos
celebravam o vazio.

Bebi lentamente
duas taças de vinho.

Desciam na face,
fios de fumaça
 e lembranças.

Cortaram o cartão de crédito,
fecharam a sala de música.

Hoje escrevo cartas de amor
na penumbra azul do quarto.
 

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