quinta-feira, 5 de março de 2015

Discurso patético


Sigo a passos lentos.
Observo olhares
respondo acenos.

O mundo gira
dentro de casa.
Veraz é meu
pensamento.

Substâncias
sebosas escapam
da minha boca.

O olhar para na brancura do teto.
Calculo a velocidade dos mosquitos
em relação à esperteza das víboras.

Insetos mergulham no silêncio.
Zombam do universo dos homens?
Zombam da partícula escura
na ponta do meu nariz?

Ecoa um grito no décimo andar:
- Quem complica tudo explica!

Rasgo as páginas do discurso.
Volto ao giro da roda-viva
e ouço o som da minha vitrola
comprada na primeira esquina.

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